terça-feira, 9 de agosto de 2016

Brasileiro que defende o Líbano perde luta por ação irregular: "Me roubaram"

Ex-integrante da seleção brasileira, Nacif Elias, naturalizado libanês há três anos, é desclassificado na estreia após encaixar de pé uma chave de braço em rival argentino






Um dia após a inesquecível conquista do ouro de Rafaela Silva, um brasileiro que representa o Líbano foi quem mais chamou a atenção, na manhã desta terça-feira, no início da disputa das preliminares do peso-meio-médio (até 63kg para as mulheres e até 81kg para os homens). Ex-integrante da seleção brasileira e naturalizado libanês desde 2013, Nacif Elias reclamou muito ao ser desclassificado por uma entrada de golpe proibida na luta contra o argentino Emanuel Lucentti, pela primeira rodada. O juiz considerou que Nacif encaixou uma chave de braço quando estava de pé e encerrou o combate, dando a vitória para o hermano. Inconformado, Elias se negou a sair do tatame da Arena Carioca 2, discutiu com o juiz e ficou gritando em direção aos mesários. Depois de alguns minutos, ele decidiu deixar a área de luta e abandonou o ginásio chorando bastante. Atual vice-campeão asiático, Nacif tinha boas chances de ir longe na Rio 2016. 
Nacif Elias, atleta do judô, reclama da arbitragem (Foto: Danilo Verpa/NOPP)Nacif Elias, atleta do judô, reclama da arbitragem após eliminação diante de judoca argentino (Foto: Danilo Verpa/NOPP)

- Fui roubado. Isso é uma vergonha. Treinei muito, é catimba argentina. Arbitragem internacional é uma vergonha, sempre me prejudicam no circuito mundial. O que estão fazendo é uma vergonha porque me naturalizei libanês. Vão me punir por dois anos. Infelizmente não foi dessa vez. Treinei muito. Estou triste por isso - reclamou Nacif.
Após conversar com a Federação Internacional de Judô e mais calmo, Nacif retornou para fazer a saudação final e pediu desculpas aos juízes, público e tatame. Ele havia deixado o local de combates sem os devidos cumprimentos obrigatórios. A torcida na Arena Carioca 2 o aplaudiu.


- Aceito, né? Tenho respeitar a decisão deles. Acato, faz parte. Treinei muito! Hoje, vivo para treinar. Tinha chances claras de medalha. Não desisto nunca, apesar de ser naturalizado libanês - disse Nacif.
Técnico do judoca, Gabriel Vicentini lamentou a eliminação do seu comandado e destacou que Nacif trabalhou duro para ir longe nos Jogos do Rio.
- Foi um ciclo de muito sacrifício, abriu mão de muita coisa. Passamos por muitas dificuldades, sem receber salário. Ele cumpriu o protocolo do judô, mas a gente não concorda com a decisão. Várias vezes isso aconteceu - afirmou.
Nacif Elias, atleta do judô, reclama da arbitragem (Foto: Danilo Verpa/NOPP)Brasileiro que defende o líbano, Nacif critica catimba do judoca argentino e reclama: "Vergonha" (Foto: Danilo Verpa/NOPP)

Brasileiros em ação
Os dois brasileiros do peso-meio-médio começaram muito bem as suas campanhas nos Jogos do Rio. Mariana Silva estreou com uma vitória rápida por ippon sobre Szandra Szogedi, enquanto Victor Penalber, bronze no Mundial do ano passado, imobilizou Marlon Acacio, de Moçambique. Ambos lutarão em instantes pelas oitavas de final.
Vitcor Penalber judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)Vitcor Penalber estreia bem e avança na busca por medalha no judô (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CBJ)

Empolgada com o apoio da torcida, Mariana começou com tudo a sua trajetória na Rio 2016. Após uma disputa forte pela pegada, as duas lutadoras foram para o solo, e Mari conseguiu encaixar uma chave de braço, obrigando Szogedi a bater três vezes a mão no chão, desistindo do combate depois de apenas 59 segundos. Vitória por ippon.

Muito mais gabaritado que o africano, Victor demonstrou logo de cara uma postura muito superior. Em busca da pegada perfeita para projetar Acacio, o carioca não deu chance. Sem saber o que fazer, o gringo foi punido por falta de combatividade.

Penalber estava tranquilo, pois sabia que a vitória era questão de tempo. Passados dois minutos, ele encaixou um bom golpe de perna e conquistou um wazari. Com muita velocidade, Victor conectou a luta de solo e imobilizou Marlon. Bastou segurar o rival por 15 segundos para conquistar o segundo wazari e vencer por ippon.
Na luta seguinte, Penalber encarou Sergiu Toma, que defende os Emirados Árabes, mas perdeu por ippon. Um dos principais destaques do Brasil no ciclo olímpico entre Londres 2012 e a Rio 2016, Victor era a principal aposta de pódio da seleção brasileira masculina, ao lado do peso-pesado Rafael Silva, que competir nesta sexta-feira, no peso-pesado (acima de 100kg).


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