Após estreia na Olimpíada, astros da seleção de basquete do país pedem que torcedores apoiem sua própria equipe em vez de se preocuparem com rivalidade
A Argentina encontrou torcedores apaixonados ao estrear no basquete, domingo, no Rio de Janeiro, mas o comportamento de parte dos torcedores não agradou alguns dos astros da seleção masculina durante a vitória por 94 a 66 sobre a Nigéria. Em entrevista ao jornal "El País", os veteranos Luis Scola e Manu Ginóbili questionaram alguns insultos dos argentinos em relação aos brasileiros. Houve até repetição dos cantos usados na Copa do Mundo disputada no Brasil, em 2014, como o famoso "Decime qué se siente".
Capitão da seleção argentina e porta-bandeira do país, Scola diz que sempre foi bem tratado no Brasil e afirmou não compactuar com a "rixa" entre os vizinhos sul-americanos. Para o ala-pivô, a torcida deveria se preocupar mais em apoiar a própria seleção do que em provocar os anfitriões, o que foi considerado uma atitude de mau gosto. Para ele, fazer referência ao 7 a 1, por exemplo, não faz sentido em um jogo de basquete - sobre as lembranças a respeito da goleada da Seleção para a Alemanha na semifinal da Copa de 2014.
- Não quero que o Brasil perca, só quando jogar contra a Argentina. Me parece besteira cantar contra uma equipe que não está em quadra. Toda vez que venho aqui sou tratado muito bem, não me identifico com isso - afirmou o atleta, um dos remanescentes da equipe campeã olímpica em Atenas 2004, destacando ainda que todos são sul-americanos.
Torcida argentina esquentou a Arena Carioca 1 e cantou muito na partida contra a Nigéria (Foto: Reuters)
O discurso foi engrossado por Manu Ginóbili, também astro da NBA e medalhista de ouro em 2004. O ala do San Antonio Spurs acompanhou o pensamento do companheiro e, ao falar sobre o assunto, pediu que os argentinos priorizem a torcida pelo país.
- Preferia não ouvir cânticos contra o Brasil, mas a nosso favor. Isso é do futebol, algo que não realmente não aprecio. É melhor que as pessoas venham e nos apoiem, nos empurrem, porque precisamos. Não faz muito sentido viajar tantos quilômetros e cantar para quem nem na quadra está - explicou.
A Argentina volta a jogar nesta terça-feira, quando enfrenta a Croácia, às 22h30. A adversária também vem de vitória após ter levado a melhor sobre a Espanha, em jogo equilibrado, vencido por 72 a 70.
RIVALIDADE EM OUTRAS ARENAS
A rivalidade que chamou atenção na estreia do basquete vem sendo registrada em outros eventos, e acontece dos dois lados, mesmo que apenas uma das seleções esteja em ação. Em jogo de handebol, os brasileiros apoiaram dinamarqueses contra argentinos
No futebol, a torcida brasileira provocou os argentinos nas duas partidas disputadas pelos hermanos no Engenhão. Na estreia, contra Portugal, a maioria do público adotou a seleção lusa. Não foi diferente neste domingo, quando a Argentina voltou a campo para encarar a Argélia. A exemplo da Copa, os brasileiros responderam com cânticos em referência a Pelé e incluíram provocações envolvendo os vice-campeonatos na Copa 2014 e as duas últimas edições da Copa América.
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