Entre bons momentos e falhas que poderiam ter sido evitadas, brasileiros levam 2 a 1 de Schalk/Saxton, precisam vencer letões na quinta e ainda torcer por resultados
Após perderem na estreia para os cubanos Diaz/Gonzalez, a pressão era grande sobre os cariocas Pedro Solberg e Evandro nesta terça-feira, no segundo jogo da Olimpíada, desta vez contra o Canadá. Na Arena de Vôlei de Praia, em Copacabana, os canadenses Schalk e Saxton, número 7 do ranking mundial, não estavam para brincadeira e se aproveitaram da instabilidade dos adversários.
Foi um jogo extremamente duro. Os brasileiros, que alternaram bons momentos e falhas que poderiam ter sido evitadas, levaram o primeiro set por 21/17, perderam o segundo por 21/18 e, após um tie-break emocionante com direito a um longo rali, acabaram derrotados por 2 a 1, sendo 16/14 na última parcial
Evandro e Pedro perdem a segunda e lutam para seguir na Olimpíada, contra a Letônia (Foto: Ezra Shaw/Getty Images)
- O time do Canadá está de parabéns, teve sorte no final também. O jogo foi decidido no detalhe. Nosso time jogou bem também, mas não deu. A vitória não veio. A cabeça está forte, ainda temos uma chance. Enquanto tivermos uma luz no fim do túnel, vamos brigar - falou Pedro.
A próxima partida de Pedro e Evandro será na quinta-feira, às 17h30 (de Brasília), contra os fortes letões Samoilovs e Smejdins, válida pelo Grupo D. E é preciso vencer. Caso Pedro e Evandro se despeçam dos Jogos diante da Letônia, será a primeira vez, em 20 anos de vôlei de praia nas Olimpíadas, que o Brasil, nos dois gêneros, não passará da primeira fase na modalidade.
ENTENDA A SITUAÇÃO DE PEDRO/EVANDRO
A situação de Pedro Solberg e Evandro na Olimpíada se complicou com a derrota desta terça-feira para os canadenses. Como eles perderam duas partidas, ainda não marcaram pontos pelo Grupo D - cada vitória vale dois pontos. No mesmo grupo, os letões têm dois pontos; os canadenses, dois; e os cubanos, também dois. Os atletas de Cuba e da Letônia se enfrentam ainda nesta terça, às 15h30 (de Brasília).
De acordo com o regulamento, todos os primeiros e segundos colocados de cada uma das seis chaves avançam direto para as oitavas de final. Além deles, passam também os dois melhores terceiros. Outros quatro terceiros disputam a repescagem, um mata-mata à parte, para tentar a classificação (nessa fase, o 6º terceiro colocado enfrenta o 3º terceiro, e o 4º terceiro enfrenta o 5º terceiro). Dali, passam dois para as oitavas de final. Todos quartos colocados se despedem da Olimpíada do Rio de Janeiro. Resumindo: de 24 times, passam 14, e quatro fazem a repescagem.
Saxton e Schalk, frios, se aproveitam da instabilidade brasileira (Foto: Ezra Shaw/Getty Images)
Por isso, em um mundo ideal, como precisa vencer a Letônia para não terminar em quarto, o Brasil tem de ganhar com uma boa margem de pontos - já que o critério de desempate é a média de pontos, não os sets. Ou seja, mais importante que fazer 2 a 0, por exemplo, é abrir uma boa diferença de pontos. Mas não é só isso: a dupla brasileira ainda precisa torcer por uma vitória de Cuba diante dos letões nesta terça e, depois, sobre o Canadá, na quinta, às 11h. Ou ainda torcer para os cubanos perderem seus dois jogos e vencerem os europeus com placar elástico. Ou seja, é bem complexo.
- Não penso nisso. Acredito que eu posso buscar a medalha, eu e Evandro. Temos total convicção de que está na nossa mão. É como se o mata-mata tivesse começado um round antes. Temos de ganhar e ganhar bem - analisou Pedro Solberg.
O JOGO
Pedro Solberg e Evandro entraram um tanto desatentos em quadra e começaram com certa dificuldade contra os canadenses. Eleito dono do melhor saque de 2015, Evandro, de 2,10m, errou três tentativas de ace. Pedro errou uma, mas conseguiu reação quando deu uma largadinha bonita e, na sequência, seu parceiro fez uma defesa espetacular. Mas foi no fundamento que não estava entrando que Pedro, filho da ex-jogadora de vôlei Isabel, garantiu a vitória na parcial: 21 a 17. Ao todo, eles fizeram dois aces, e Schalk e Saxton, nenhum.
Logo no comecinho do 2º set, uma polêmica. Evandro foi para o saque e fez o ace. Os canadenses pediram desafio. Na imagem, foi atestado que os estrangeiros estavam certos e o brasileiro havia tocado na linha. Mas aí, a confusão: no telão, apareceu a frase "Desafio sem sucesso". O público vibrou, só que o placar, corretamente, validou o ponto para os rivais.
No restante do set, o serviço do gigante de 2,10m funcionou duas vezes seguidas, mas o Canadá se recuperou com um ace de Saxton e um bom ataque. O jogo estava duro. O Brasil desperdiçou oportunidades, e os estrangeiros aproveitaram e fecharam a parcial em 21 a 18.
E o tie-break? Foi disputado ponto a ponto e tirou o fôlego de quem estava na arquibancada. Pedro e Evandro alternavam ótimos momentos com falhas evitáveis. Ali era preciso manter a calma. Mais frios, os canadenses se aproveitavam. Quando Evandro errou seu saque, deu o primeiro match point para o Canadá: 14 a 12. No meio da tensão, os brasileiros conseguiram segurar e empataram: o filho de Isabel foi para o serviço e, após um longo e belo rali, Evandro tocou em cima de Saxton e levantou a torcida. Apesar do esforço, os canadenses conseguiram a virada, e um ace incrível de Saxton, que triscou na linha, fechou o revés dos donos da casa: 16 a 14 na parcial.
Pedro Solberg e Evandro alternam bons momentos com falhas e perdem (Foto: Getty Images)

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