Quinto maior ladrão de bolas do Brasileirão, volante passa impune à série de lesões no Alvinegro e é recordista de jogos na temporada do time de Ricardo Gomes
Ele não participa dos Jogos Olímpicos, mas pode ser considerado um corredor de longa distância. Na maratona do Botafogo, em meio a um calendário apertado, Bruno Silva é medalhista de ouro. O camisa 8 pode não ser um campeão de audiência, mas é quem mais esteve em campo com a camisa alvinegra na temporada.
Com 36 jogos, Bruno Silva é o único titular no Botafogo desde o início do ano que não teve lesão muscular, um problema que já atingiu a quase todo elenco ao longo de 2016. Seria o volante um "Homem de Ferro"? Bruno até curte o personagem de Tony Stark, interpretado pelo ator Robert Downey Jr, na trilogia "Iron Man", mas não se considera feito do aço.
- Não. O que é isso? (risos). Tenho dor. Mas em um esporte de alto nível, não ter dor é impossível. Eu procuro passar por cima. Gosto do filme do Homem de Ferro, mas não sou de ferro, não (gargalhada). Aqui tem unha e carne. Tenho uma dor ou outra, sim.
Há sete meses no Botafogo, Bruno Silva conquistou seu espaço, mas não está imune a críticas e vaias da torcida, impaciente com o momento do Botafogo. Situação que incomoda e "envergonha" o próprio camisa 8. Individualmente, Bruno avalia que pode render mais. Seus números, porém, são bons. Se não aparece tanto para os torcedores, ele é importante para o time. Bruno já roubou 41 bolas no campeonato e é o quinto maior "ladrão" do Brasileirão.
Em bate-papo com o GloboEsporte.com, ele falou sobre o Z-4, mas também abordou outros assuntos como seus (quase) dois golaços de bicicleta, fez uma rígida autoavaliação de seu momento e riu sobre o boato que se espalhou via "Whatsapp", há cerca de dois meses, de que teria se envolvido, durante a madrugada, em acidente dirigindo um Porsche, na Barra da Tijuca.
- Andar de Porshe ainda não dá para mim não - brincou, aos risos.
Bruno Silva é o 5º maior "ladrão" do Brasileiro com 41 roubadas de bola (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)Veja os principais tópicos do papo com Bruno Silva:
AUTOAVALIAÇÃO
Eu sou muito exigente e me cobro bastante. Não consegui jogar tudo o que sei ainda. Lógico que já estou bem adaptado, mas estou devendo, tenho noção disso. Acho que primeiro procuro ajudar a equipe. Depois penso no Bruno. Algumas vezes joguei com dor, no sacrifício, mas procuro passar por cima dessas coisas. Ainda não consegui jogar no meu melhor nível, mas vejo muitos pontos positivos. Sei que estou ajudando o Botafogo
NOVA FUNÇÃO
Estou em uma função nova. Muita gente não sabe, mas comecei a jogar como segundo volante há mais ou menos um ano e meio na Chapecoense. Sou primeiro volante de origem, o cara que marca e entrega a bola. Eu gosto de jogar nessa função de segundo homem e, na Chapecoense, fiz muitos gols assim. Aqui já marquei dois. Mas gosto mesmo é de roubar bolas. Estou conseguindo fazer isso e estou muito feliz.
BICICLETA
Contra o Santa Cruz, o goleiro (Tiago Cardoso) foi muito feliz. A bola foi caindo. Se ela vai um pouco mais alta, acho que sai o gol. Na hora tentei aquela bicicleta de fora da área. Lamentei, seria bonito. Mas vou continuar tentando. Estou sempre chegando à frente, tendo oportunidades e estou perdendo alguns gols. Mas se errei é porque estou criando, dando opção e aparecendo na frente. Contra a Chapecoense quase saiu de novo de bicicleta. É um lance que não treino, é um improviso, coisa de jogo. É lógico que é um sonho para qualquer jogador fazer um gol de bicicleta. Tive essas duas oportunidades, mas não consegui. Mas até o final do campeonato, se aparecer outra oportunidade, vou tentar de novo.
TRÊS VOLANTES OU TRÊS ATACANTES?
Muita gente fala que jogar com três volantes é retranca. Discordo. No futebol moderno, não existe mais isso. Tanto que o Airton é nosso primeiro volante e dá vários passes importantes. Eu e o Lindoso também estamos sempre chegando à frente. Para mim, três volantes ou três atacantes não faz diferença. Fomos muito bem no Carioca nesse esquema comigo, Airton e Lindoso. É uma formação em que jogamos bem.
HOMEM DE FERRO?
Graças a Deus não tive problema. Eu me cuido muito. Não que os outros não se cuidem, mas talvez eu me cuide um pouquinho a mais. Dor em sempre sinto. Isso é normal da profissão. Mas não tive nenhuma lesão mais grave que me fizesse desfalcar o time. E tenho certeza que não terei (risos). Vou continuar jogando e à disposição do Ricardo.
Graças a Deus não tive problema. Eu me cuido muito. Não que os outros não se cuidem, mas talvez eu me cuide um pouquinho a mais. Dor em sempre sinto. Isso é normal da profissão. Mas não tive nenhuma lesão mais grave que me fizesse desfalcar o time. E tenho certeza que não terei (risos). Vou continuar jogando e à disposição do Ricardo.
Homem de ferro? Bruno diz que cuidado extra evita lesões (Foto: Vitor Silva / SSpress / Botafogo)
Z-4 E VERGONHA
Somos humanos e sentimos também como o torcedor. Não é como muita gente pensa, que saímos do clube e deixamos os problemas para trás. Muitas vezes levamos os problemas para casa. Minha mulher tem aguentar (risos). Sentimos vergonha de sair na rua. Os torcedores sempre comentam quando o time não vai bem. Ver tabela, com o time na zona de rebaixamento, incomoda. A gente se cobra. Muitas vezes o bicho pega aqui e saí faísca. Mas isso é normal. Acho que estamos evoluindo e estamos no caminho certo.
PORSCHE, EU?!
Até brinquei com o pessoal do clube. Andar de Porsche ainda não é para mim, não (gargalhada). Me ligaram de Belo Horizonte, Curitiba, Chapecó, de todo lugar (risos)... Meus amigos ficaram preocupados, mas expliquei que não era eu no carro, era um boato. Não falei nada publicamente porque a minha consciência estava tranquila. Muita gente falou que era eu no carro. Foi um mal-entendido que já passou, foi esclarecido, e graças a Deus não teve ninguém ferido mais gravemente no acidente
Até brinquei com o pessoal do clube. Andar de Porsche ainda não é para mim, não (gargalhada). Me ligaram de Belo Horizonte, Curitiba, Chapecó, de todo lugar (risos)... Meus amigos ficaram preocupados, mas expliquei que não era eu no carro, era um boato. Não falei nada publicamente porque a minha consciência estava tranquila. Muita gente falou que era eu no carro. Foi um mal-entendido que já passou, foi esclarecido, e graças a Deus não teve ninguém ferido mais gravemente no acidente
TATUAGENS
Eu não parei para contar ainda, mas tenho mais de 15. É algo que gosto muito. Já perdi as contas. E comecei tarde, há pouco tempo, com 22 anos, mas não parei mais e fiz uma atrás da outra. Tenho o nome da minha filha, da minha mulher, do meu pai, da minha mãe... Pretendo fazer mais umas duas e parar.
Eu não parei para contar ainda, mas tenho mais de 15. É algo que gosto muito. Já perdi as contas. E comecei tarde, há pouco tempo, com 22 anos, mas não parei mais e fiz uma atrás da outra. Tenho o nome da minha filha, da minha mulher, do meu pai, da minha mãe... Pretendo fazer mais umas duas e parar.

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