terça-feira, 8 de novembro de 2016

Vinte anos de atraso: a semana em que o UFC foi expulso de Nova York

Histórico UFC 12, que teve primeiro título de Vitor Belfort, foi transferido de Buffalo para o Sul dos EUA após proibição emergencial de lutas de Vale Tudo no estado


"Se eu puder me fazer aqui, posso me fazer em qualquer lugar", diz a letra do clássico "New York, New York", de Frank Sinatra, sobre Nova York. O UFC, porém, teve de inverter a lógica da canção e construir sua reputação pelo mundo inteiro antes de chegar com pompa à "capital da civilização ocidental" nesta semana, com o UFC 205 que acontecerá no icônico Madison Square Garden. Não por escolha própria: uma lei formatada especificamente para impedir que a organização promovesse eventos no estado de Nova York manteve o Ultimate - e o MMA - à distância, e só foi derrubada este ano, quase 20 depois de ter sido aprovada emergencialmente para expulsar o então controverso torneio de lá. Na calada da noite, os maioresnomes do esporte (na época, chamado ainda de Vale Tudo) no mundo tiveram de embarcar num avião fretado às pressas e "fugir" para o Sul dos Estados Unidos, apenas para preservar a competição.
CONFUSÃO, GOLPE E JULGAMENTO
O UFC enfrentou resistência desde o início, graças a uma estratégia de buscar controvérsia para promover seus eventos e chamar a atenção da grande mídia. O tiro acabou saindo pela culatra quando o então senador republicano John McCain, ligado à velha guarda do boxe, redigiu uma carta às comissões atléticas estaduais dos EUA comparando o Vale Tudo a uma "rinha de galo humana" e pedindo que o evento fosse banido. Cada vez mais, os organizadores do torneio se viam em batalhas judiciais para liberar a realização de seus cards.
Wallid Ismail, Vitor Belfort, Mark Coleman, Dan Severn, Art Davie, conferência de imprensa, UFC 12 (Foto: Marcelo Alonso)Da esquerda para a direita: Wallid Ismail, Vitor Belfort, Yoshiki Takahashi, Mark Coleman, Jerry Bohlander, Art Davie e Dan Severn na conferência de imprensa do UFC 12, quando foi anunciada a mudança de sede do evento (Foto: Marcelo Alonso)
Em Nova York, todavia, tudo parecia bem. A organização trabalhou junto aos legisladores em Albany, capital do estado, para regulamentar a realização dos torneios no interior. A intenção era conquistar espaço aos poucos até conseguir entrar na cidade de Nova York. Em 1995, o Ultimate promoveu o UFC 7 em Buffalo sem maiores problemas com a lei, e anunciou mais tarde o UFC 12 para a mesma cidade, no dia 7 de fevereiro de 1997. Contudo, na semana do evento, o jornal "New York Times" noticiou com destaque que o Extreme Fighting, torneio rival que tinha o herdeiro da revista erótica "Penthouse" como promotor, estava anunciando planos imediatos de realizar um card de Vale Tudo no Madison Square Garden. Aquilo causou a ira dos governantes locais, particularmente do prefeito "linha dura" da cidade, Rudolph Giuliani.
- Eu estava num café da manhã com políticos na terça-feira da semana da luta, e um dos assistentes legais do prefeito Giuliani veio a mim e disse, "Agora estamos em lados diferentes." Perguntei do que ele estava falando, e ele disse, "Lemos o Times hoje." Na capa do New York Times, havia fotos de duas pessoas que diziam que estavam fazendo um evento de MMA no Brooklyn. As duas fotos tinham nomes, mas nenhum deles era o meu, nada falava do UFC, mas, por alguma razão, o assistente do Giuliani achava que tinha sido eu e que eu havia agido pelas suas costas - conta Bob Meyrowitz, presidente do Semaphore Entertainment Group (SEG), na época proprietário do UFC.
Segundo Meyrowitz, os legisladores evocaram uma regra que permite a aprovação emergencial de uma lei em menos de 24 horas, usada apenas em situações "em que a vida de alguém esteja em perigo". A nova lei obrigava os eventos de Vale Tudo que quisessem ser sancionados no estado a serem realizados num ringue de boxe, com capacetes de proteção e luvas de boxe. Mesmo sem tempo hábil para se preparar, os organizadores foram ao tribunal na quarta-feira protestar contra as novas regras e tentar garantir o UFC 12, ironicamente intitulado "Judgement Day" ("Dia do Julgamento" em inglês).
- Imediatamente fomos à justiça, pois tínhamos direito de fazer isso, não tínhamos as regras que eles nos deram, que tornariam a luta muito mais perigosa. Uma das regras era que não poderíamos lutar no octógono, ou jaula, tinha que ser no ringue do boxe, que, como qualquer um que pratica artes marciais sabe, é mais perigoso, você pode cair para fora através das cordas. Eles disseram que os lutadores teriam que usar capacetes, o que todos que conhecem artes marciais ou boxe sabem que não protege, apenas impede cortes, mas nas artes marciais possibilitariam que alguém o agarrasse e arremessasse. O John McCarthy (principal árbitro do UFC na época) testemunhou que aquilo tornaria o esporte mais perigoso. Mesmo assim, a corte decidiu nos impedir de fazer o evento - lembra Meyrowitz.
Avião do UFC, UFC 12, equipe Carlson Gracie (Foto: Marcelo Alonso)Equipe de Carlson Gracie, liderada pela tradutora Ulna, posa na entrada do Boeing fretado para levar os lutadores a Dothan, Alabama (Foto: Marcelo Alonso)
A sentença saiu na quinta-feira, dois dias antes da realização do torneio. A partir daí, começou uma correria para garantir que o evento, que já tinha pacotes de pay per view vendidos, acontecesse em algum outro lugar. Já banido em alguns estados, o UFC encontrou guarida no Alabama, na pequena cidade de Dothan, autointitulada "capital de amendoins do mundo", 1.762km ao sul de Buffalo. A próxima dor de cabeça, porém, seria desmontar toda a estrutura que já estava sendo preparada e levá-la para a nova sede. Para piorar, a organização descobriu que o aeroporto local de Dothan não comportava aviões com portas de carga, os únicos capazes de transportar toda a estrutura do octógono, luzes e som que a companhia tinha. Por isso, Meyrowitz teve que mandar o avião para uma cidade vizinha, onde contratou caminhões para completar o percurso até o local. E ainda teve uma dor de cabeça de último minuto:
- Quando cheguei a Dothan, faltavam minutos para a primeira luta, e estavam pintando os degraus do octógono de preto. Eu disse, não façam isso, os caras vão pisar na tinta molhada e ficar com as sapatilhas sujas! Mas lotamos o local e, para crédito da minha equipe, o show seguiu sem problemas e foi incrível.
"PERRENGUES" PARA CHEGAR A DOTHAN
Enquanto os organizadores do evento trabalhavam incansavelmente nos bastidores para garantir a realização do torneio, os lutadores estavam em Buffalo, alheios à polêmica. Sabia-se que o UFC estava sob pressão pelo país inteiro, mas ninguém imaginava que o evento pudesse ser cancelado e transferido em cima da hora. O jornalista Marcelo Alonso, que cobriu o evento para a revista "Tatame", estava junto a Vitor Belfort, à época com 19 anos e fazendo sua estreia no Ultimate, no dia em que foi anunciada a mudança da sede.
- O Vitor foi dar uma olhada no octógono, eu fui com ele e com a dona Jovita (mãe de Belfort), e pedi para ela tirar uma foto nossa sentados no octógono. Você vê que as luzes estão bem mais baixas que a cabeça, ou seja, os caras estão levantando as luzes, o octógono já está com a lona. Ou seja, estava sendo montado. E não lembro quanto tempo depois, mas no mesmo dia já era a conferência de imprensa. Nessa conferência, logo depois dessa foto, lembro que o Big John anunciou que deu "xabu", foi proibido em Nova York - diz Alonso.
Marcelo Alonso e Vitor Belfort, UFC 12 (Foto: Arquivo pessoal)Marcelo Alonso e Vitor Belfort posam no octógono montado em Buffalo, antes da notícia da transferência do UFC 12 (Foto: Arquivo pessoal)
A organização fretou um Boeing para levar todos os lutadores e suas equipes para Dothan. "Se esse avião cai, acaba o Vale Tudo no mundo", brincou Carlson Gracie para amenizar o clima tenso no ar.
Lembro de puxar papo com o Mark Coleman, e ele não conversando, preocupado. Eu sempre prestei atenção na linguagem corporal. A linguagem corporal de todo mundo, parecia mostrar que estávamos indo pra guerra mesmo, estavam todos tensos, todos nervosos, as equipes todas juntas, se estudando. Um clima muito tenso no voo. Era até difícil ter conversas com pessoas. Eu tentava conversar, me comunicar, e tinha cara que nem me olhava, olhava bravo - comenta Vitor Belfort.
O avião era fretado apenas para quem estava diretamente relacionado ao evento, o que significava que jornalistas não deveriam embarcar. Contudo, a afinidade com a equipe de Carlson Gracie garantiu a Marcelo Alonso um lugar no Boeing, que ele quase colocou a perder por causa de uma necessidade fisiológica.
- Estava nevando muito, estava fechado o aeroporto, que era pequeno, e o Boeing sendo preparado. Imagina, meia-noite, 1h da manhã e nada, e eu com uma vontade de ir ao banheiro filha da p***. Tinha um McDonald's ao lado, e eu falei, “Carlson, pelo amor de Deus, vou ali”. E ele, “Mas e se chamarem, bicho?” Já estamos aqui há duas horas, não vai ser agora que vão chamar. Fui mijar, voltei e não deu outra: fiquei do lado de fora. Quando eu cheguei, os caras tinham embarcado, estava o Carlson desesperado na janelinha me xingando. Ele mandou a Ulna (tradutora da equipe) ir me buscar, a mulher do Big John (Elaine, responsável pela logística) não me deixou embarcar, a Ulna respondeu, “O Carlson falou que se o Alonso não embarcar, o Vitor não vai lutar”, botou o terror lá. Me botaram para dentro, e tomei o maior esporro da minha vida quando entrei - relembra, aos risos, o jornalista.
Nem todos tiveram a mesma sorte que Alonso. Jorge Guimarães, o Joinha, havia viajado para Nova York na véspera do evento e pretendia seguir para Buffalo em seguida para gravar o piloto do programa "Passando a Guarda". Quando chegou à "Grande Maçã", recebeu uma ligação de Carlson avisando que o evento havia sido transferido.
- Tive que mudar o itinerário todo, e foi uma dor de cabeça violenta, porque quando você compra umas passagens mais baratas, não pode mudar. A minha sorte era que eu tinha um escritório em Nova York, fui direto para o escritório e consegui mudar a passagem do meu câmera e do meu produtor. Chegando em Birmingham, peguei um carro, foi a única alternativa. Depois fui dirigindo três horas e meia até Dothan, cheguei lá e o evento já tinha começado, o Wallid (Ismail) já tinha lutado e perdido, estava lá no vestiário, e cheguei um pouquinho antes da oração do Vitor.
Renzo Gracie, que já morava em Nova York na época, mas não estava competindo no evento, teve de pegar um carro para fazer a viagem com sua equipe até Dothan. Eles chegaram a tempo, mas não sem antes levar uma "dura" da polícia por excesso de velocidade.
- Tivemos que ir “pisados” para chegar a tempo. O cara que estava dirigindo não sabia o que era um carro à paisana, então o cara está atrás querendo encostar, e ele não está achando que é polícia, e está fugindo! O policial no final entendeu, deixou todo mundo ir embora (risos). Eu falei, “Meu amigo, no Brasil, se o cara te encosta com um carro desse jeito assim, você não para, você não acha que é polícia, acha que é um assalto!” O cara ria, mandou a gente meter bronca no evento, desejou boa sorte (risos).
A aeronave dos atletas chegou ao Alabama às 4h da manhã no dia do evento, e as equipes ainda precisaram encarar quase uma hora de ônibus até o hotel em Dothan.
Lembro do dia nascendo, no dia que os caras iam sair na porrada, e os caras fazendo check-in. O Dan Severn, que ia lutar com o Coleman, dormindo no lobby, na mesa de check-in, esperando e dormindo em pé. Uma parada totalmente absurda - conta Alonso.
O NASCIMENTO DO "FENÔMENO"
Curiosamente, apesar de toda a polêmica sobre o Vale Tudo na época, o Ultimate já se movimentava para criar regras que o tornassem mais aceitável para as comissões atléticas. O UFC 12 foi o primeiro a ter um protótipo de categorias de peso, mesmo que fossem apenas duas: peso-leve (até 90,3kg) e peso-pesado (de 90,7kg para cima). A luta principal do evento, entre Mark Coleman e Dan Severn, coroou o primeiro campeão divisional dos pesados - Coleman, vencedor por finalização. Também foi naquela época em que foi implementada a regra que proibia que o lutador agarrasse a grade para evitar uma queda. As mudanças, porém, ainda não estavam bem difundidas e acabaram prejudicando Wallid Ismail, na época o maior nome da equipe de Carlson, que competiu no torneio peso-leve e acabou derrotado por pontos por Yoshiki Takahashi, que se agarrou acintosamente à tela para não ser derrubado. O lutador manauara descontou no árbitro John McCarthy, que ouviu um sermão duro no avião que os levaria de volta a Los Angeles.
Art Davie, Ulna, Big John McCarthy, Wallid Ismail, UFC 12 (Foto: Marcelo Alonso)Wallid Ismail (dir.) reclama com Art Davie (esq.) e McCarthy (centro) após derrota polêmica no UFC 12 (Foto: Marcelo Alonso)
- Até hoje eu não falo direito com o Big John! Na época eu fiquei louco, porque não vi o cara se pesar; não podia segurar na grade e o cara passou a luta toda segurando na grade para eu não derrubar. Na época, eu fiquei "putaço", mas hoje em dia faz parte da história. Ali, se não me engano, tinha sido o primeiro ou segundo evento que não podia segurar na grade, e eu toquei o terror, esculhambei o Big John. Mas faz parte do passado - diz Wallid.
O fato mais marcante do UFC 12, contudo, foi a estreia de Vitor Belfort no evento. Aos 19 anos, o carioca assombrou o mundo com dois nocautes contra os gigantes Tra Telligman e Scott Ferrozzo, em um tempo combinado de dois minutos, para conquistar o título do torneio dos pesos-pesados, tornando-se o campeão mais jovem da história da companhia.
- Era só cara grande e eu novinho, 19 anos, e quem estava comigo era o Wallid, e ele falava, “Caraca, olha o tamanho daquele cara lá!” E era o cara que eu ia lutar, o Tra Talligman! Me lembro que parecia aquele filme do Van Damme, que tinha aquele torneio, igualzinho ao “O Grande Dragão Branco”. O Carlson naquele jeitão, né… “O rei da selva é o leão, rapaz, relaxa.” E eu, “Carlson, olha o tamanho dos caras, brother!” E o Carlson, “Fica tranquilo.” Eu já tinha ideia do esporte, já tinha minha luva. Fui encontrar o Scott Ferrozzo, mostrei minha luva, ele falou que também tinha a dele, já os outros não, o Tra Telligman lutou sem luva. Era aquela coisa meio arcaica, e eu já via o esporte crescer, mas para mim era uma coisa nova, eu olhava e dizia, “Nossa, como eu vim parar aqui?” E lembro de uma mulher falando pra mim, “O que você está fazendo aqui? Você é muito bonito pra isso!” - diz Belfort.
Naquela semana, Alonso lembra, Vitor Belfort estava "absolutamente tranquilo", mas a noite em que nasceu o "Fenômeno" pode também ser traçada como a origem dos problemas de equipe e de foco que perseguiram o atleta por toda sua carreira. O lutador conta que a derrota de Wallid para Takahashi no mesmo torneio, momentos antes de sua primeira luta, marcou sua memória.
- O Wallid me passava muita segurança, “É guerra, é guerra! Vamos ganhar.” Eu me lembro que eu já contava com a vitória do Wallid, estava no vestiário, e foi quase um trauma para mim ver aquilo acontecendo com o Wallid, falei, “Caraca, não é possível!” Um cara que era meu parceiro de equipe, que eu admirava, era meu porto seguro ali, perdeu aquela luta e eu ia lutar logo na sequência. Lembro do Wallid vindo para o vestiário. Qual é o preço da derrota, né? Ele sentado debaixo do chuveiro sozinho, ninguém com ele. Fui lá, abracei o Wallid, e eu tinha que lutar, e ele disse, “Foca na sua luta, foca na sua luta!” (...) Eu me senti muito prazeroso, mas ao mesmo tempo era muito antagônico, porque eu queria celebrar juntos. E eu não ter conseguido celebrar junto com o Wallid, aquilo me chocou muito, porque o Wallid era um cara que eu admirava, meu parceiro de treino, um cara muito mais velho que eu, que me motivava, que me dava alegria. A gente morava junto. Vê-lo daquele jeito... Sempre fui muito sensível, e tive a sensibilidade de ver que “Caramba, o cara que é meu ídolo, que me motivava, não conseguiu conquistar.” Era muito antagônico. Mas a vitória foi maravilhosa, curti bastante.
Vitor Belfort, Joe Rogan, UFC 12 (Foto: Reprodução/Instagram)Belfort é entrevistado por Joe Rogan, que também estreou no UFC na ocasião, após o título (Foto: Reprodução/Instagram)
Wallid nega que tenha se sentido abatido pela derrota, mas garante que o tratamento recebido foi merecido ("Perdeu, tem que ficar sozinho mesmo", disse). Alonso, por sua vez, assinala que a vitória no torneio fez Belfort mudar de patamar, e passar a ser alvo dos companheiros de equipe. O lutador carioca mudou de time diversas vezes na carreira, e foi duramente criticado até por seu mestre Carlson Gracie por isso.
Quando ele ganha o primeiro UFC que começam os primeiros problemas, porque os caras que ele tinha como ídolo começam a invejá-lo. Ele, que era o oitavo, décimo na hierarquia do Carlson Gracie, pula a fila de todo mundo e passa a ser o número 1. Quando tinha uma briga com algum aluno que não fazia o que ele queria, o Carlson dizia, “Vou botar o Vitor pra te dar porrada, hein?” Aí o Carlson, sem querer, pelo jeito simples dele e pela falta de psicologia, acabou tendo uma participação nessa coisa do Vitor passar a ter problemas internos. Ele tinha tanta admiração, e o Vitor era tanto o galo principal dele, que ele não pensava que podia estar magoando os outros galos também. Aquilo foi de certa maneira um erro - analisa Alonso.
A partir daquele evento, os problemas judiciais do Ultimate apenas aumentaram, ao ponto que a SEG precisou vender o torneio ao grupo Zuffa LLC, de Dana White e dos irmãos Lorenzo e Frank Fertitta, por US$ 2 milhões, devido ao prejuízo acumulado. O grupo investiu bastante para reverter a imagem do esporte e regulamentá-lo por todo o mundo. Quase 20 anos depois, o UFC enfim chega à cidade de Nova York num novo patamar, com contratos de exibição televisiva em algumas das maiores emissoras do mundo e recentemente vendida para um grupo de grandes investidores do mundo do entretenimento por US$ 4,2 bilhões. Vitor Belfort imagina como as coisas poderiam ter sido diferentes se aquele torneio em 1997 não tivesse sido forçado a deixar Buffalo de um dia para o outro.
- Acredito que, se tivesse acontecido em Nova York, o esporte ia se tornar gigante naquela época. O bloqueio de Nova York desde aquele dia, 20 anos atrás, atrasou; como um local pode atrasar todo o esporte! Acontecer em Nova York teria mudado a cena do esporte. Nunca teríamos sido barrados no pay per view, nunca teríamos de ter passado pelo Lorenzo e o Frank; eles dois e o Dana White tiveram que reformular todo o esporte. Acredito que o Bob Meyrowitz, por ser um cara do entretenimento, teria conseguido que as coisas acontecessem mais rápido. (...) Demos mil passos para trás. Se o evento fosse em Nova York, chamaria a atenção de todos esses empresários do meio do entretenimento que vivem em Nova York. Trazendo o mundo econômico, ia trazer capital, pessoas comprando ações e modificando (o esporte).
Só vivendo os próximos 20 anos para saber até onde a presença na "capital do mundo ocidental" pode levar o MMA. A partir de sábado, a história começa a ser reescrita com o UFC 205. 

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