Brasileira afirma que torcerá para Amanda Nunes vencer "Rowdy" no dia 30 de dezembro, mas garante que, no auge, americana é superior à "Leoa dos Ringues"
Bethe Correia alfinetou Miesha Tate (Foto: Marcelo Russio)
O nome de Ronda Rousey não sai - e talvez nunca saia - da cabeça de Bethe Correia. Passado um ano e três meses do UFC 190, ou UFC Rio 7, quando elas se enfrentaram na luta principal do evento, a brasileira não esquece a americana. Enfrentar a adversária em um futuro próximo é uma das metas que "Pitbull" traça para 2017 - ano que ela espera ser o melhor de sua vida. A paraibana quer limpar o currículo e enterrar todas as críticas e julgamentos que vem sofrendo desde que entrou em rota de colisão com "Rowdy".
Bethe torce para que Ronda não siga o caminho de Miesha Tate, que se aposentou repentinamente neste mês, ao perder para Raquel Pennington, em Nova York. A "Cupcake", inclusive, recebeu uma alfinetada da brasileira, que a enxerga como fraca do ponto de vista mental.
- Eu acho a Miesha meio maluca, bipolar. Uma hora ela diz que vai se aposentar, toda vez que as coisas não vão bem para ela, fala em aposentadoria. Quando o UFC marcou Ronda x Holly, ela teve um piripaque. Ela venceu a Holly, perdeu para a Amanda do mesmo jeito. Deu um baque muito grande e, agora, perdeu para sua aluna no TUF. Ela viu que o caminho dela seria de derrotas. Se fosse lutar comigo, também ia perder. Acho que pensou: "Não quero mais ser humilhada, vou parar agora, chega!" É uma pessoa fraca - declarou Bethe, na expectativa de voltar ao octógono em fevereiro.
Ronda Rousey e Bethe Correia alimentam rivalidade desde o UFC 190, no Rio (Foto: André Durão)Confira a entrevista na íntegra:
Que balanço faz da sua carreira neste ano?
O ano foi bom, mas teve momentos turbulentos, porque você vir de um evento grande, perder e ser julgada... É preciso muita força para se reestruturar. Foi bem complicado. Perdi a luta principal no Brasil, fui para a AKA, fiz uma luta nos EUA, perdi para a Raquel, mas até hoje acho que não perdi, foi uma decisão polêmica. Isso me deixou ainda mais frustrada. Vim de uma frustração dupla. Estamos no fim de 2016, mas consegui voltar a vencer. Isso vai me dar uma boa vibrada. EU acho que 2017 será o melhor ano da minha vida.
Você ainda sente os efeitos da derrota para a Ronda, mesmo tendo passado um ano e três meses daquela edição do UFC?
É uma marca que só vai passar quando eu enfrentá-la novamente. Enquanto siso, as pessoas vão me julgar, me criticar, me zombar e rir de mim. Eu me considero a mais persistente, a mais batalhadora da categoria. Quero limpar meu currículo. O UFC que se prepare, porque quando eu coloco um negócio na cabeça, eu consigo. Vou limpar tudo o que a Ronda fez comigo. Eu ainda vou lutar com ela novamente. Tenho certeza disso. Quero fazer uma nova história, um Rousey x Correia diferente.
Quais são seus planos em termos de luta?
Tenho muitas lutas que ainda quero fazer. Quero limpar meu currículo, fazer a revanche com a Raquel, porque não engoli a derrota. Eu venci aquela luta. Meu foco ainda é lutar contra a Ronda, não vou parar enquanto isso não acontecer. Gostaria de ter lutado contra a Miesha, por toda a difamação que ela fez da minha imagem como pessoa e lutadora. Ela mostrou ser a mais frágil do que todas as lutadoras juntas. Há muito tempo fala em aposentadoria e, depois que perdeu, viu que as derrotas iriam se repetir uma atrás da outra e caiu fora. É carta fora do baralho na minha vida. Meu foco mesmo é lutar contra quem fez com que eu perdesse meu currículo, a Ronda. Eu quero limpar minha história. Fui feita de vilã, me manchou. Eu não me importo: falem mal ou bem, falem de mim. A última luta que fiz foi uma das maiores audiências no mundo.
Ronda Rousey nocauteou Bethe Correia no UFC Rio 7 (Foto: André Durão)Por que acredita que aconteceu essa situação de ser colocada como vilã?
Eu acho que pela minha ousadia de lutar pelo que eu quero. Quando você coloca a cara a tapa, está aberto para ser criticado. Era a primeira luta da Ronda fora do seu país, era mais fácil entrar aqui glorificada do que vaiada. Ela queria lutar contra uma adversária da casa e mostrar ser superior. Foi planejado, ela quis isso e teve o apoio total da mídia. Eu acho que tentaram passar, depois da luta, uma imagem assim: "Você mereceu, Bethe". A Ronda cresceu bastante, mas isso não me diminuiu. Ganhei uma repercussão mundial altíssima, me tornei uma das lutadoras mais conhecidas do mundo, todos querem ver se estou evoluindo ou não. Se eu guardo mágoa? Não, pois trouxe benefícios para a minha vida. Claro que, quando você é apedrejado, dói muito. A dor não é nem a minha, mas é da minha família. Eu sinto por eles. No fim de tudo, só fiz com isso, porque todos que me apedrejam querem me ver.
O que achou da aposentadoria da Miesha Tate?
Eu acho a Miesha meio maluca, bipolar. Hora ela diz que vai se aposentar, toda vez que as coisas não vão bem para ela, fala em aposentadoria. QUando o UFC marcou Ronda x Holly, ela teve um piripaque. Ela venceu a Holly, perdeu para a Amanda do mesmo jeito. Deu um baque muito grande e, agora, perdeu para sua aluna no TUF agora. Ela viu que o caminho dela seria de derrotas. Se fosse lutar comigo, também ia perder. Acho que pensou: "Não quero mais ser humilhada, vou parar agora, chega!" É uma pessoa fraca: quando vê que os planos não estão saindo como quer, sai pelas laterais. Eu, perdendo ou ganhando, vou atrás. Não tenho dupla personalidade. Quando perdi para a Ronda, quis logo lutar.
O UFC pode realizar um evento no Nordeste em 2017. Gostaria de lutar lá?
Seria uma delícia. Sou nordestina, as pessoas lá têm muito amor por mim. Sofremos muito preconceito, então a gente se acolhe. Isso que aconteceu no Rio jamais aconteceria no Nordeste, de ter uma torcida dividida. Seria impossível, por conta da cultura, do sofrimento do povo. O pessoal se abraça no sofrimento, nunca abandonamos um filho da casa. Nunca lutei no nordeste, geralmente luto nos Estados Unidos. Seria maravilhoso e, se fosse luta principal, seria extraordinário.
Bethe Correia crê que Amanda Nunes tem boas chances contra Ronda Rousey no UFC 207 (Foto: Marcelo Russio)
A luta entre Ronda e Amanda está marcada para 30 de dezembro, no UFC 207, em Las Vegas. Você acha que a Ronda voltará a se apresentar como costumava ou ficará ainda abalada pela derrota para a Holly Holm?
A Ronda é muito sincera. Tem lutador que está muito abalado psicologicamente, mas na mídia está super bem. Conheço vários. Apesar de eu odiar a Ronda, de ter uma rivalidade pessoal, ela tem a sinceridade como qualidade. Se ela está mal, ela demonstra. Ela entrou numa depressão, num momento difícil, ela mesmo assumiu. Não tenho a mínima ideia de como ela voltará. Não sei se está bem ou não de cabeça. Ela ficou quietinha, não sei como foi o treinamento dela.
Como acha que a luta irá transcorrer?
A Amanda é um atleta dura, mas a Ronda, em seu melhor momento, não perderia para ela. As duas no auge, acredito na vitória da Ronda. Eu torço pela Amanda, acima de tudo sou brasileira, nunca desamparo um brasileiro. Sou patriota mesmo. Mas não é porque torço pela Amanda que não vejo a realidade. Seria um bom momento para a Amanda vencer, caso a Ronda não volte como antes.
Teme que a Ronda se aposente em caso de derrota, o que enterraria o seu sonho de enfrentá-la?
- Nossa... Eu não quero que ela se aposente, preciso lutar contra ela. Vai ser uma grande luta. Estou bem mais madura, lutei várias vezes depois da vez que lutamos, seria uma outra Bethe no octógono. Minha prestação de contas estará mais fervorosa. A Ronda tem muita coisa para fazer no UFC, não precisa se abalar com a derrota, tem muita estrela para brilhar. Espero que ela não se aposente (risos). Eu queria a Miesha, que se aposentou. Todo mundo que eu quero se aposenta, não pode isso. Daqui a pouco, vou fazer um acampamento na porta da casa delas para falar: "Não se aposentem antes de lutar comigo, deixa que eu aposento vocês (risos)".
No peso-galo, a Amanda é a atual campeã. No peso-palha, o Brasil se aproxima do título com a Jéssica Bate-Estaca. Como vê a paranaense nesta divisão?
Eu nunca tive nenhum problema com a Bate-Estaca. Ela sempre quis lutar comigo, mas eu entendo, porque teve uma hora que eu estava perto de lutar pelo título, é natural que todas queiram lutar. Torço para que ela tenha chance de lutar contra a Joanna. Eu conheci a Bate-Estaca, ela é muito pequena, fez muito bem (em descer de categoria). Ela não sentia nada para perder peso, chegava na semana dos eventos já no peso, praticamente. Isso é muito difícil de acontecer. Era tão guerreira que ainda cravou algumas vitórias. Ela vai fazer uma bagunça no peso-palha.
Você acha que ela poderá destronar a Joanna?
Ela está evoluindo, tem chance de ser campeã e matar o jogo da Joanna. Ela é bem embaçada, mas ninguém é invencível. Se a Bate-Estaca treinar direitinho, ela pode ser campeã, sim.
A Ronda é muito sincera. Tem lutador que está muito abalado psicologicamente, mas na mídia está super bem. Conheço vários. Apesar de eu odiar a Ronda, de ter uma rivalidade pessoal, ela tem a sinceridade como qualidade. Se ela está mal, ela demonstra. Ela entrou numa depressão, num momento difícil, ela mesmo assumiu. Não tenho a mínima ideia de como ela voltará. Não sei se está bem ou não de cabeça. Ela ficou quietinha, não sei como foi o treinamento dela.
Como acha que a luta irá transcorrer?
A Amanda é um atleta dura, mas a Ronda, em seu melhor momento, não perderia para ela. As duas no auge, acredito na vitória da Ronda. Eu torço pela Amanda, acima de tudo sou brasileira, nunca desamparo um brasileiro. Sou patriota mesmo. Mas não é porque torço pela Amanda que não vejo a realidade. Seria um bom momento para a Amanda vencer, caso a Ronda não volte como antes.
Teme que a Ronda se aposente em caso de derrota, o que enterraria o seu sonho de enfrentá-la?
- Nossa... Eu não quero que ela se aposente, preciso lutar contra ela. Vai ser uma grande luta. Estou bem mais madura, lutei várias vezes depois da vez que lutamos, seria uma outra Bethe no octógono. Minha prestação de contas estará mais fervorosa. A Ronda tem muita coisa para fazer no UFC, não precisa se abalar com a derrota, tem muita estrela para brilhar. Espero que ela não se aposente (risos). Eu queria a Miesha, que se aposentou. Todo mundo que eu quero se aposenta, não pode isso. Daqui a pouco, vou fazer um acampamento na porta da casa delas para falar: "Não se aposentem antes de lutar comigo, deixa que eu aposento vocês (risos)".
No peso-galo, a Amanda é a atual campeã. No peso-palha, o Brasil se aproxima do título com a Jéssica Bate-Estaca. Como vê a paranaense nesta divisão?
Eu nunca tive nenhum problema com a Bate-Estaca. Ela sempre quis lutar comigo, mas eu entendo, porque teve uma hora que eu estava perto de lutar pelo título, é natural que todas queiram lutar. Torço para que ela tenha chance de lutar contra a Joanna. Eu conheci a Bate-Estaca, ela é muito pequena, fez muito bem (em descer de categoria). Ela não sentia nada para perder peso, chegava na semana dos eventos já no peso, praticamente. Isso é muito difícil de acontecer. Era tão guerreira que ainda cravou algumas vitórias. Ela vai fazer uma bagunça no peso-palha.
Você acha que ela poderá destronar a Joanna?
Ela está evoluindo, tem chance de ser campeã e matar o jogo da Joanna. Ela é bem embaçada, mas ninguém é invencível. Se a Bate-Estaca treinar direitinho, ela pode ser campeã, sim.
UFC Fight Night
19 de novembro, em São Paulo (SP)
CARD PRINCIPAL (a partir de 0h, horário de Brasília):
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Ryan Bader
Peso-galo: Thomas Almeida x Albert Morales
Peso-palha: Cláudia Gadelha x Cortney Casey
Peso-médio: Thales Leites x Krzysztof Jotko
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Kamaru Usman
Peso-meio-médio: Serginho Moraes x Zak Ottow
CARD PRELIMINAR (a partir de 21h, horário de Brasília):
Peso-médio: Cézar Mutante x Jack Hermansson
Peso-meio-pesado: Marcos Pezão x Gadzhimurad Antigulov
Peso-galo: Johnny Eduardo x Manny Gamburyan
Peso-pesado Luis Henrique KLB x Christian Colombo
Peso-galo: Pedro Munhoz x Justin Scoggins
Peso-meio-pesado: Francimar Bodão x Darren Stewart
19 de novembro, em São Paulo (SP)
CARD PRINCIPAL (a partir de 0h, horário de Brasília):
Peso-meio-pesado: Rogério Minotouro x Ryan Bader
Peso-galo: Thomas Almeida x Albert Morales
Peso-palha: Cláudia Gadelha x Cortney Casey
Peso-médio: Thales Leites x Krzysztof Jotko
Peso-meio-médio: Warlley Alves x Kamaru Usman
Peso-meio-médio: Serginho Moraes x Zak Ottow
CARD PRELIMINAR (a partir de 21h, horário de Brasília):
Peso-médio: Cézar Mutante x Jack Hermansson
Peso-meio-pesado: Marcos Pezão x Gadzhimurad Antigulov
Peso-galo: Johnny Eduardo x Manny Gamburyan
Peso-pesado Luis Henrique KLB x Christian Colombo
Peso-galo: Pedro Munhoz x Justin Scoggins
Peso-meio-pesado: Francimar Bodão x Darren Stewart
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