segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Prefeito de Chapecó critica cartolas do Internacional: “Direção de várzea”

Luciano Buligon, no entanto, ressaltou a grandeza da equipe gaúcha e o fato da própria torcida ter reprovado a atitude de Fernando Carvalho



Luciano Buligon (centro) participou das homenagens à Chapecoense, no último sábado (03). (Foto: Getty Images)
Luciano Buligon (centro) participou das homenagens à Chapecoense, no último sábado (03). (Foto: Getty Images)

Depois das declarações do vice-presidente de futebol do Internacional, Fernando Carvalho, comparando a situação do clube na zona de rebaixamento do Brasileiro à tragédia que vitimou 71 pessoas na queda do avião que levava a Chapecoense à Colômbia, o prefeito de Chapecó deu uma resposta dura.

Luciano Buligon (PSB) caracterizou a diretoria da equipe gaúcha como de várzea, citando o nome de Fernando Carvalho, e ressaltando que a própria torcida colorada reprovou suas atitudes. A declaração foi divulgada pelo Uol.

“O Internacional é um clube grande com pequenos administradores. O Fernando Carvalho é um dirigente de várzea dirigindo um clube grande. O Inter tem direção de várzea, amadora. Tem uma bela torcida, muitos sócios e um dirigente de várzea. Ele foi muito inoportuno. A própria torcida ficou contra ele e a nosso favor”.

Além de dizer que o Inter vivia sua tragédia particular com a possibilidade de rebaixamento, o dirigente do Inter ainda afirmou que o clube seria prejudicado com o adiamento da última rodada do Nacional, por conta da queda do avião da Chape. Pouco depois, Fernando Carvalho publicou um vídeo nas redes sociais se desculpando.

Gudjohnsen ex-Barça e Chelsea se oferece para a Chapecoense e "convoca" Ronaldinho

"Por respeito, eu jogaria pela Chapecoense, se eles tiverem um lugar para mim", 
afirma Gudjohnsen, que participou da histórica campanha da Islândia na última Euro



Eidur Gudjohnsen - Islândia x Hungria (Foto: Reuters)Gudjohnsen defendeu a Islândia na Euro (Foto: Reuters)
O islandês Eidur Gudjohnsen ficou conhecido no Brasil por ter jogado por Chelsea e Barcelona na década passada. Agora, ele quer participar da reconstrução da Chapecoense. O islandês, que participou da histórica campanha com a sua seleção na última Eurocopa e defende atualmente o indiano Pune City, usou o Twitter para se oferecer ao time catarinense. Além disso, "convocou" um antigo companheiro de Barça para se juntar a ele. 
- Por respeito, eu jogaria pela Chapecoense, se eles tiverem um lugar para mim! Nem que seja apenas para jogar com o Ronaldinho novamente - disse o veterano meia-atacante islandês, de 38 anos.
Após seis anos de Chelsea, Gudjohnsen chegou em 2006 ao Barcelona, onde fez parceria com Ronaldinho. Mas, numa eventual transferência, ele não se juntaria necessariamente ao velho camisa 10 do Barça. O brasileiro é alvo de uma campanha para jogar na Chape, mas Assis, seu irmão e empresário, não descarta essa possibilidade.
- Todo mundo ainda está sem chão. É um momento muito difícil, tudo aconteceu agora. Mas no que depender de nós, vamos ajudar. Não sei seria num jogo ou com um vínculo. Mais para a frente, se houver um contato, podemos conversar. Emociona o fato de ter o nome lembrado para ajudar e nos faz pensar. Só posso dizer que estamos aqui e queremos ajudar - disse Assis, em entrevista na semana passada.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Sensível, vencedor e amigo: familiares e amigos se despedem de Caio Júnior

Missa em homenagem ao treinador da Chape teve a presença de Cuca, do Palmeiras, Autuori, do Atlético-PR, além do jogador Jô e ex-atletas Ricardinho e Alex



Missa Caio Júnior Curitiba (Foto: Reprodução/RPC)Igreja ficou lotada com familiares, amigos e torcedores: cerimônia foi de bastante emoção (Foto: Reprodução/RPC)
Amigos, familiares, torcedores de diversos times e fãs se despediram do técnico Caio Júnior na manhã deste domingo, na Igreja dos Passarinhos, em Curitiba. A missa de corpo presente ficou lotada e teve a presença de personalidades do mundo do futebol, como o técnico do Palmeiras, Cuca, Paulo Autuori, do Atlético-PR, o ex-jogador Alex, Ricardinho e o atacante do Corinthians, Jô, além de vários atletas do Paraná Clube, entre eles o goleiro Marcos, em sua maioria amigos pessoais do treinador da Chapecoense. Caio Junior será cremado em cerimônia reservada à família ainda neste domingo, assim como o auxiliar técnico Eduardo de Castro Filho, o Duca. O analista de desempenho da Chapecoense, Luiz Felipe Grohs, o Pipe Grohs, será velado e sepultado no cemitério Iguaçu.
Em clima de bastante comoção, a missa teve um tom triste e de despedida, mas também de memória sobre a personalidade de Caio Júnior. Entre eles, o jogador Jô lembrou que trabalhou com ele nos Emirados Árabes e que o treinador é um dos responsáveis pelas mudanças em seu comportamento.  
missa caio junior (Foto: Fernando Araújo)Corpo de Caio Júnior chegou para missa aberta ao público (Foto: Fernando Araújo)
- Tive o prazer de jogar sete meses com ele nos Emirados Árabes. Sou muito grato à família, os filhos e não poderia deixar de prestar minha homenagem. Ele foi um professor dentro e fora de campo. O Caio sempre foi um um cara sério, honesto, uma pessoa íntegra e de família.
"Estava indo para a glória", lembra Alex
Homem de sorriso franco, simples e que passava por um grande momento. Foi como o ex-jogador Alex lembrou o amigo Caio Júnior. Além da proximidade por terem iniciado a carreira no futebol paranaense, Alex contou que esteve com o treinador nas últimas horas dele, antes do embarque da Chapecoense para Medellín, após a partida contra o Palmeiras, em São Paulo. Alex conta que Caio Júnior estava muito feliz com a possibilidade de levar a equipe catarinense ao seu maior título. 
- Ele deixa uma imagem de simplicidade. Ele deixava as coisas muito simples, de uma maneira muito fácil. Passei as últimas horas com ele antes do voo. Estava com um sorriso franco e que trilhava um caminho espetacular como treinador. Ele estava indo para a tentativa de glória.
autuori e caio junior missa caio junior (Foto: Fernando Araújo)Técnicos Cuca, do Palmeiras, e Autuori, do Atlético-PR, eram amigos do treinador Caio Júnior (Foto: Fernando Araújo)
O caixão de Caio Júnior foi coberto por bandeiras do Paraná Clube e da Chapecoense. A torcida do Paraná Clube também esteve presente e fez uma homenagem no momento da chegada do corpo na Igreja com fogos e cânticos. 
Abalado, Autuori lembra da sensibilidade de Caio
Também visivelmente abatido pela tragédia e a morte de Caio Júnior, o técnico do Atlético-PR, Paulo Autuori destacou a sensibilidade do amigo que fez quando o treinou em Portugal, na equipe do Vitória de Guimarães, em 1989. Com pausas longas em sua fala, Autuori não conteve o choro. 
alex missa caio junior  (Foto: Fernando Araújo)Alex esteve com Caio nas últimas horas do técnico, antes do embarque para Medellín (Foto: Fernando Araújo)
- O Caio vai estar sempre presente. Ele representa, e não vou usar o passado, a sensibilidade dentro do futebol, que é fundamental. O futebol embrutece as pessoas, porque só se pensa em vitória ou título e se esquece que somos seres humanos e temos sentimentos. O Caio nunca se deixou embrutecer. Era sensível, bondoso e humilde. 
Também muito abalado, o técnico Cuca esteve próximo de Caio Júnior em seus últimos momentos. Os treinadores foram adversários na partida entre Palmeiras e Chapecoense, pelo campeonato Brasileiro, quando a equipe paulista confirmou o título de campeão após a vitória de 1 a 0 na Arena Palmeiras, pela última rodada. Cuca comentou ter achado curioso que, apesar da partida não ter importância para a equipe catarinense, identificou bastante tristeza entre eles após o jogo. 
- (o Caio) Não demonstrava alegria e nenhum jogador da Chapecoense. Lembro que entrei em campo e cumprimentei uma meia dúzia, e todos estavam muito tristes como se tivessem perdido um título, que aquele jogo não valia isso. Foi uma coisa que marcou bastante e ficou esse sentimento.
O paranaense Cuca também lembrou dos tempos em que treinou Caio Júnior no Grêmio e destacou a conquista dele já como treinador, quando levou o Paraná Clube pela primeira e única vez para a Libertadores da América, há dez anos.
- Guardo muitas memórias desde o tempo do Grêmio. Era um excelente jogador, finalizador e sabia fazer gol. Como treinador fez um grande trabalho no Paraná Clube e levando o time à Libertadores. Vivia um grande momentos da vida dele como profissional com a Chapecoense, que não é fácil chegar em uma final de Sul-Americana. Estava em nono no Brasileiro com um elenco bem reduzido. Era nítida a mão dele na equipe. 
velório pipe curitiba (Foto: Reprodução/RPC)Velório de Pipe teve a presença de amigos em Curitiba: o dia mais triste do futebol brasileiro (Foto: Reprodução/RPC)

Alvo de ameaças, viúva defende piloto: "Ele não era um assassino"

Em entrevista ao Fantástico, Daniela Quiroga diz que Miguel "não era uma pessoa má"


Apontado como principal responsável pelo acidente que matou 71 pessoas na última terça-feira, o piloto Miguel Quiroga foi defendido por sua mulher, Daniela. Em entrevista ao Fantástico, a viúva afirmou que seu marido não teria colocado a vida dos passageiros do avião LaMia em risco por vontade própria. Ele foi enterrado neste domingo, em Cobija, próximo à fronteira com o Brasil.
- Meu marido era um homem responsável, que amava o que fazia. Ele não era uma pessoa má, não era um assassino – disse.
Miguel Quiroga Avião (Foto: Reprodução/Twitter)Miguel Quiroga, piloto do avião que levava delegação da Chapecoense (Foto: Reprodução/Twitter)
Daniela afirma que entende a dor dos familiares das vítimas. Segundo a reportagem do “Fantástico”, a família do piloto tem recebido ameaças de morte desde o acidente.
- Ele estava muito bem preparado para operar. Meu marido levava aviação muito a sério. Eu entendo a dor de todos. Também perdi meu marido, também tenho filhos. Eu entendo a dor de todas as pessoas, mas meu marido nunca colocaria por vontade própria a vida de ninguém em risco.
A irmã de Miguel também defendeu o piloto.
- É muito triste ver também como as pessoas podem se expressar contra uma pessoa que já não está aqui – disse Carola.

No Recife, família, amigos e jogadores se despedem de Cléber Santana

Corpo do capitão da Chapecoense foi velado na sede social da Ilha do
Retiro, onde vários pernambucanos foram prestar as últimas homenagens



Velório Cléber Santana (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)Caixão foi coberto com bandeiras de PE e da Chapecoense (Foto: Aldo Carneiro / PE Press)
A sede social da Ilha do Retiro estava cheia em um domingo. Mas, desta vez, o cunho era outro. No lugar de alegria, tristeza e comoção. A aglomeração era para se despedir de Cléber Santana, cria das categorias de base do Sport. Após o velório coletivo realizado na Arena Condá, na última sexta-feira, o capitão da Chapecoense - que foi uma das 71 vítimas do trágico acidente aéreo - teve direito a uma cerimônia em sua terra natal. No final da tarde, o corpo foi levado ao cemitério Morada da Paz, onde foi cremado à noite.
Centenas de torcedores de Sport, Santa Cruz e Náutico (que trajavam as camisas dos clubes) compareceram. Além de várias outras pessoas com camisas da Chapecoense, do São Paulo e do Flamengo, clubes que Cléber Santana também defendeu ao longo da carreira. Em Pernambuco, ele atuou pelo Leão.
Cléber Santana Velório (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Familiares receberam amigos, torcedores e jogadores no velório, na Ilha do Retiro (Foto: Marlon Costa / PE Press)
Vários ex-jogadores que conheciam Cléber ou atuaram junto com ele compareceram na cerimônia, como o volante Everton (hoje no Central de Caruaru), o ex-meia Nildo (atuaram juntos no Sport em 2003) e o atacante Túlio de Melo, ex-Chape, e atualmente no elenco rubro-negro.
- Peço que a CBF e os outros clubes olhem por essas famílias. Prestem algum tipo de ajuda, porque lá em Chapecó (o atacante também foi para o velório na Arena Condá) eu já fiquei sabendo que existem esposas sem saber como vão pagar as contas. É necessário ajudar quem ficou aqui sofrendo - disse Túlio de Melo.
Grafite velório Cléber Santana (Foto: Daniel Gomes)Grafite foi ao velório de Cléber Santana na Ilha do Retiro (Foto: Daniel Gomes)
A diretoria do Santa Cruz enviou uma coroa de flores para o velório de Cléber Santana, assim como o atacante tricolor Grafite, que, no começo da tarde, também se fez presente na sede da Ilha do Retiro.
- Me solidarizo muito com a perda porque me coloco no lugar da família. Vivemos nesse meio que viajamos muito, deixamos nossos parentes em casa, é muito difícil. Eu tinha uma boa relação com Cléber e quase o fiz estar correndo aqui junto com a gente. Queria trazê-lo para o Santa Cruz e até conversei com ele, mas ele acabou ficando na Chapecoense mesmo. É uma perda enorme  - disse o jogador.
O capitão da Chapecoense deixou a mulher e dois filhos, um de 14 e outro de 11 anos, que estiveram no velório. O irmão de Cléber, Cleydson Santana, chegou a passar mal e foi socorrido durante o velório. Os amigos e familiares de Cléber estavam com camisas brancas com a imagem do jogador e o número 88, que ele usava na Chape.
Cortejo Cléber Santana Velório Ilha do Retiro (Foto: Aldo Carneiro / Pernambuco Press)Carro dos bombeiros levou corpo da Ilha ao Morada da Paz (Foto: Aldo Carneiro / PE Press)
No caixão, foram enroladas as bandeiras do Sport, Chapecoense e de Pernambuco. Também foram fixadas algumas fotos de Cléber na época de jogador do Leão. Nascido em Abreu e Lima, no Grande Recife, Cléber Santana tinha 35 anos e estreou como profissional em 2001. Ficou no clube até 2003 e disputou 138 jogos, marcando 25 gols.
Antes do Chepecoense, onde estava há dois anos, ele jogou pelo Vitória, Santos, São Paulo, Atlético Paranaense, Avaí, Flamengo, Criciúma, o japonês Kashiwa Reysol, e os espanhóis Atlético de Madrid e Mallorca. 
O corpo de Cléber Santana chegou por volta das 11h30 na Ilha do Retiro e ficou no local até as 16h. Depois seguiu para o cemitério Morada da Paz, na cidade de Paulista, onde foi cremado. 
Cleber Santana Velorio  (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)Caixão do jogador no cemitério Morada da Paz (Foto: Marlon Costa / Pernambuco Press)

Em áudio, Follmann promete melhora: "Dessa vez eu passei batido"

Sobrevivente no acidente aéreo em Medellín, goleiro da Chapecoense grava mensagem e tranquiliza amigos e família: "Vou sair dessa rápido, tá?"


Um dos sobreviventes do acidente aéreo em Medellín, o goleiro da Chapecoense Jackson Follmann evolui a cada dia. Tanto que, neste domingo, gravou um áudio para amigos e família, divulgado pelo programa "Fantástico". Nele, o jogador tranquiliza a todos sobre seu estado e promete melhora em breve. 
Jackson Follmann Chapecoense (Foto: Andre Penner / AP)Jackson Follmann segue evoluindo e está bem psicologicamente (Foto: Andre Penner / AP)
- Fala, galera. To aqui para mandar um abraço pra todo mundo aí. Dizer que to bem e que vou sair dessa rápido, tá? Que é pra todo mundo ficar tranquilo aí. Tá tudo tranquilo comigo, beleza? Dessa vez eu passei batido. Valeu, abraço! - disse Follmann. 
Follmann é considerado pelos médicos como o sobrevivente em melhores condições. Ele teve de amputar a perna direita, mas continua evoluindo. Há cuidado com a cicatrização de suas feridas.
Ainda internado, o goleiro tem conversado normalmente. No sábado, os médicos reveleram que ele reagiu bem à notícia da perda da perna e mostrou estar bem psicologicamente. Ao saber da amputação, respondeu:

- Prefiro a vida à perna. Vamos tirar isso de letra. 

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Com 50 caixões, aviões da FAB saem da Colômbia a caminho de Chapecó

Aeronaves brasileiras buscam corpos dos jogadores e da comissão técnica mortos na tragédia da última terça-feira e têm chegada prevista em Santa Catarina neste sábado


Os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) já começaram a deixar a Colômbia com os corpos dos jogadores e da comissão técnica da Chapecoense mortos na tragédia que vitimou quase todo o elenco do clube na madrugada da última terça-feira, em Rionegro. Ao todo, são 50 caixões sendo transportados por três aeronaves modelo Hércules, divididos em 17 no primeiro, 17 no segundo e 16 no terceiro. Os veículos iniciaram a decolagem do aeroporto José María Córdova, em Medellín, às 19h22 desta sexta (horário de Brasília). De lá, fazem escala em Manaus e têm chegadas previstas a Chapecó na manhã deste sábado, dando início ao velório coletivo.
Caixões Chapecoense Medellin (Foto: Reuters)50 caixões, sendo 19 de jogadores, foram divididos em três aviões Hércules da Força Aérea Brasileira (Foto: Reuters)















O último ato de solidariedade dos colombianos com os brasileiros foi de luto e mais homenagens. Houve um cortejo do IML local até o aeroporto, onde militares com distintivos no formato do escudo da Chapecoense em seus uniformes aguardavam. Houve uma cerimônia com marcha fúnebre antes da entrega dos corpos aos militares brasileiros, seguida por orações em português e espanhol feitas por um padre. Tudo aconteceu em absoluto silêncio, só quebrado pelo toque da marcha fúnebre e pelas palavras do sacerdote. Os aviões chegaram ao aeroporto às 14h27 (horário local), e os caixões, às 14h45.
plano de voo, aviões FAB, Chapecoense (Foto: Divulgação / FAB)Plano de voo dos aviões da FAB: escala em Manaus antes do destino final em Chapecó, SC (Foto: Divulgação / FAB)


















Ao todo, são 19 atletas mortos, mais o técnico Caio Júnior, seis jornalistas e outros 24 corpos de funcionários, diretoria e convidados do clube. Apenas três jogadores sobreviveram: o zagueiro Neto, o lateral Alan Ruschel e o goleiro Jackson Follmann. O trio está no Hospital San Vicente: Neto está clinicamente bem e apresenta boas perspectivas de melhora; Ruschel foi submetido à cirurgia na coluna vertebral, está com movimentos normais em membros superiores e inferiores e inspira cuidados, apesar da evolução; e Follmann tem o estado mais grave, pois teve uma das pernas amputadas e segue entubado, ainda assim seu quadro é estável.

Ponte confirma saída, e Eduardo tem caminho livre para treinar o Palmeiras

Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, ao lado do treinador, diretoria da Macaca confirmou a liberação; ele deve aceitar proposta e substituir Cuca em 2017



Eduardo Baptista, técnico da Ponte Preta (Foto: Carlos Velardi/ EPTV)A caminho do Palmeiras, Eduardo comunica saída imediata da Ponte (Foto: Carlos Velardi/ EPTV)
Eduardo Baptista está com o caminho livre para ser o novo técnico do Palmeiras. Em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, no Moisés Lucarelli, a diretoria da Ponte Preta confirmou a saída do treinador, que substituirá o campeão brasileiro Cuca no Verdão em 2017.  
Apesar da liberação concedida pela Macaca, o Palmeiras ainda não anunciou o técnico, o que deve acontecer somente após a última rodada da Série A, já que Cuca ainda dirigirá o time contra o Vitória, em Salvador. Eduardo também evitou revelar seu destino, mas está mesmo a caminho do Palestra, apesar de outras sondagens do futebol brasileiro e também do exterior. 
–  Hoje é um dia não muito alegre para a diretoria da Ponte. Vamos falar do Eduardo Baptista. Por isso que está todo mundo aqui, Eduardo ficou importante (risos). Eduardo me procurou ontem, pedindo desligamento da Ponte, tem algumas situações para definir e preferiu definir já fora da Ponte. O que quero dizer é que Eduardo foi um cara importante – disse o presidente do clube Vanderlei Pereira, que completou: 
–  Com essa equipe de trabalho, Sabia que não teria baderna. Infelizmente vamos perder um membro, que é o Eduardo, mas acho que está indo para uma coisa pelo menos financeiramente melhor. Desejo toda a sorte do mundo para ele. 
Eduardo baptista ponte preta macaca coletiva (Foto: Heitor Esmeriz)Eduardo Baptista, ao lado de dirigentes da Ponte, em sua entrevista de despedida da Macaca (Foto: Heitor Esmeriz)
Eduardo, aliás, já não comandará a Ponte na última rodada do Brasileirão, dia 11, contra o Coritiba. O treinador agradeceu à Ponte pelo período que permaneceu à frente do time em 2016 e disse que fica feliz por alçar voos mais altos na carreira. Com ele, também sai o auxiliar Pedro Gama, seu fiel escudeiro desde os tempos de Sport.

– Fico contente de sair de um clube ouvindo essas palavras. No futebol buscamos títulos e resultados, mas no meu caso, além disso, busca deixar bom exemplo, amigos. Ouvir essas palavras é realmente muito gratificante. Cheguei em abril para fazer um trabalho, acredito que tudo que estava planejado, conseguimos fazer, entre altos e baixos. Feliz por buscar voos maiores, mas triste por deixar uma casa que tenho tanto prazer de estar – falou Eduardo. 
Eduardo me procurou ontem, pedindo desligamento da Ponte, tem algumas situações para definir e preferiu definir já fora da Ponte. O que quero dizer é que Eduardo foi um cara importante"
Vanderlei Pereira,
presidente da Ponte
Pega de surpresa com a saída do seu então comandante, uma vez que as partes tinham contrato até dezembro de 2017, com multa rescisória, a Ponte confirmou que Felipe Moreira, filho de Marco Aurélio Moreira, que já treinou a Macaca, será o técnico na próxima temporada. Ele, aliás, já ficou como interino no comando do time na reta final da temporada passada.
– Sabíamos do risco de perder (o Eduardo), então estou anunciando que Felipe Moreira será o técnico da Ponte em 2017. Foi uma unanimidade entre a diretoria, tem o mesmo perfil do Eduardo, e acreditamos que tem total condição de dar sequência ao trabalho – anunciou o diretor de futebol Hélio Kazuo.
Felipe Moreira Técnico Ponte Preta Macaca (Foto: Jamira Furlani/Avaí FC)
Felipe Moreira já esteve no comando técnico interino da Ponte Preta (Foto: Jamira Furlani/Avaí FC)



















Aposta pessoal de Alexandre Mattos, Eduardo sempre foi um dos principais alvos da diretoria do Palmeiras, depois que Cuca decidiu não permanecer no cargo, e virou o favorito após Roger Machado, plano A do Alviverde, acertar com o Atlético-MG. Diante da forte investida do Palmeiras, ficou inviável da Ponte segurá-lo. A questão financeira e também a chance de dirigir um gigante em um momento especial mexeram com Eduardo. 
– Como disse, tenho algumas situações, o Palmeiras é uma delas, mas não tem nada fechado ainda. Seria egoísmo ouvir propostas e continuar com o trabalho aqui. Não tem nada de concreto. Temos mais situações para estudar e escolher o que será melhor para mim – explicou Eduardo, antes de completar dizendo que o escolhido pelo Verdão terá uma árdua missão de substituir Cuca.
– Já seria difícil para o Cuca, com um elenco montado, torcida apaixonada. O profissional que for escolhido vai ter uma responsabilidade gigante. Para o Cuca já seria um ano difícil.
No Majestoso desde abril, Baptista, filho de Nelsinho Baptista, assumiu a Ponte para a disputa do Brasileirão. Em 43 partidas à frente da equipe, contando Série A do Brasileiro e Copa do Brasil, foram 17 vitórias, 11 empates e 15 derrotas, com 48% de aproveitamento no geral. Com esses números, deixou a Ponte na elite nacional, que era sua principal missão, e parou nas oitavas de final da Copa do Brasil, sem conseguir levar o time a algo além. 
Como disse, tenho algumas situações, o Palmeiras é uma delas, mas não tem nada fechado ainda. Seria egoísmo ouvir propostas e continuar com o trabalho aqui. Não tem nada de concreto. Temos mais situações para estudar e escolher o que será melhor para mim"
Eduardo Baptista
Em conjunto com o departamento de futebol profissional, o treinador participava ativamente do planejamento da Macaca para a próxima temporada, com indicação de jogadores. Ele já teve chance de deixar o Majestoso durante o Brasileirão, quando recebeu consultas do Corinthians e do Grêmio, mas deixou claro que não sairia antes de cumprir os objetivos com a Ponte na elite. Agora com a permanência garantida, o ciclo será encerrado. 
Antes da Ponte, Eduardo trabalhou no Sport, onde iniciou a carreira de treinador, em 2014, e foi campeão da Copa do Nordeste e do Pernambucano, ambos no ano passado, e no Fluminense, de agosto a fevereiro de 2016. 

Inter lança nota oficial negando que quer afetar o Campeonato Brasileiro

Jogadores e presidente deram declaração na última quinta-feira afirmando que, por eles, não haveria a última rodada do torneio



Jogadores reunidos na sala de coletivas (Foto: Divulgação/Internacional)
Jogadores reunidos na sala de coletivas (Foto: Divulgação/Internacional)

Os últimos dias têm sido turbulentos para o Internacional. O vice de futebol Fernando Carvalho declarou que o clube vivia a sua tragédia particular e depois teve que se retratar. Na última quinta-feira (1º), a polêmica envolveu o grupo colorado e o presidente Vitorio Piffero, afirmando que, por eles, não haveria a última rodada do Brasileirão, deixando ambígua a possibilidade de uma manobra para evitar o rebaixamento.

Por conta desta declaração, o Internacional emitiu uma nota oficial nesta sexta-feira (02), para tentar explicar esta dúvida que ficou com relação às declarações do presidente. No documento, o clube deixa claro que em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.

Por conta desta declaração, o Internacional emitiu uma nota oficial nesta sexta-feira (02), para tentar explicar esta dúvida que ficou com relação às declarações do presidente. No documento, o clube deixa claro que em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.

Confira a nota na íntegra:

Os atletas profissionais do Sport Club Internacional manifestaram publicamente seu profundo sentimento de dor e solidariedade diante da fatalidade que atingiu a Chapecoense, o futebol brasileiro e toda a comunidade esportiva no mundo inteiro, e o fizeram em seu próprio nome, com o protagonismo que suas relações profissionais asseguram, num Clube que historicamente os respeita como os principais agentes do futebol, juntamente com o torcedor, sem discriminação de qualquer espécie.

A direção do Internacional compreendeu e respeitou a manifestação de seus profissionais, e o fez pela palavra de seu Presidente, mas em nenhum momento expressou qualquer proposta que afetasse a competição.

O Internacional reafirma seu compromisso com a legalidade e os fundamentos morais de toda competição, o que faz com o mesmo respeito que merecem os resultados de campo, sejam os desfavoráveis , como os mais recentes, sejam as imensas conquistas da sua história. Qualquer que seja o caminho a que nos destinem os próximos resultados, o Internacional o percorrerá com a sua invariável dignidade.

Porto Alegre, 02/12/2016.